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Perder a mãe: como enfrentar a dor do luto com fé em Deus

A dor de perder uma mãe não passa rápido — mas pode ser sustentada pela presença de Deus . Perder uma mãe não é uma dor comum. É uma ruptura profunda. É como se uma parte da nossa história tivesse sido arrancada. E, por mais que saibamos que esse dia vai chegar, quando chega... nunca estamos preparadas. Quando a ausência se torna real Nos primeiros dias, após sua partida, tudo parecia estranho.  O mais estranho é que eu sabia que esse dia chegaria, mas, quando chegou, demorei a acreditar. Hoje, o telefone não toca mais. Minha  rotina mudou. O silêncio pesa. E a pergunta surge, inevitável: “Como eu vou viver sem ela?” Não existe resposta fácil para isso. A dor que ninguém consegue explicar Só quem perdeu a mãe entende. Não é apenas saudade. É uma mistura de: vazio Lembranças constantes. Vontade de voltar no tempo e uma dor que aparece sem avisar. E não adianta tentar ser forte o tempo todo. O luto não funciona assim. Pensei que poderia fugir da dor. Pensei que, ao ver o s...

Recomeçar depois dos 50: é cansativo, mas ainda é possível

 Recomeçar muitas vezes ao longo da vida cansa.

Quem já passou dos 50 sabe disso.

Quando somos jovens, é fácil mudar de caminho, porque tudo é novidade. 

Depois de certa idade, parece prova. A cada tentativa surge a pergunta silenciosa: “Será que ainda dá tempo para mim?”

Eu mesma estou vivendo isso.


Mulher madura sentada no sofá escrevendo no computador
Foto de Teona Swift: pexels

Estou tentando aprender uma nova profissão. E, ao mesmo tempo, em que sair da zona de conforto estimula a mente, também traz desânimo. 

Há dias em que sinto que ando devagar demais. Outros, em que parece que estou sempre começando do zero.

E talvez o que mais doa seja perceber quantos projetos ficam pelo caminho.


O passado que ainda ocupa espaço

Durante muitos anos trabalhei com costuras.
Hoje ainda tenho guardados retalhos, linhas, agulhas e botões.

Essas sobras não ocupam apenas espaço físico.
Elas carregam lembranças… e às vezes arrependimentos.

Já pensei que tivesse desperdiçado tempo e dinheiro.
Mas, olhando melhor, percebo que não foi assim.

A costura me ajudou em momentos de dificuldade financeira.
Também desenvolveu minha criatividade e me ensinou a ter mais paciência.

Nem tudo que termina precisa ser uma perda.
Algumas fases apenas cumpriram seu propósito.


Os caminhos que não segui

Depois tentei estudar novamente.
Cheguei a iniciar uma segunda graduação, em Farmácia, e até fui bem no começo. Mas não continuei.

Por muito tempo achei que isso significava fracasso.

Pensei:
“Eu poderia ter sido professora.”
“Eu poderia ter tido uma profissão.”
“Talvez eu não sirva para nada além de cuidar da casa.”

Só que, com o tempo, fui percebendo algo diferente:
nem todo caminho é errado só porque não foi adiante.

Alguns não combinam com nossa realidade, com nossa personalidade ou com nossas limitações. Deus nos conhece melhor do que nós mesmos.

Sempre fui tímida, caseira, e lido com dificuldades de saúde e concentração — principalmente depois da Covid, quando minha mente ficou mais lenta e minha disposição diminuiu muito.

Houve um período em que parei completamente.
Senti como se tivesse chegado ao fim da linha.


O desânimo que ninguém vê

Antes, eu amava sair.
Ia à cidade. Entrava em lojas de tecidos, de cosméticos.

Observava as cores e as texturas dos tecidos.

 Imaginava como as roupas ficariam depois de prontas.

Também sentia os perfumes dos produtos de cabelo. Aquilo me alegrava.

Hoje, às vezes nada parece interessante.
As cores ficam sem vida.
Os cheiros não encantam.
Tudo parece comum demais.

Elementos gráficos coloridos, como folhas
Imagem: Canva

Esse tipo de desânimo é difícil de explicar.

Quem olha de fora acha que é apenas cansaço. Mas por dentro parece uma apatia profunda.

E, nessas horas, surgem pensamentos perigosos:

“Meu tempo já passou.”
“Não consigo aprender mais nada.”
“Talvez seja melhor desistir.”


O pequeno começo

Foi nesse momento que decidi recomeçar meu blog.

Meu filho também me incentivou a estudar sobre internet. E, mesmo devagar, comecei a aprender. Não é fácil. Os estudos são exigentes e às vezes me sinto perdida.

Mas percebi algo importante:

Recomeçar depois dos 50 não significa voltar ao início.
Significa usar tudo o que já vivemos como base.

Hoje não tenho a mesma energia de antes, mas tenho experiência.
Não tenho rapidez, mas tenho persistência.
Não tenho certezas, mas tenho fé.


O que aprendi

Talvez eu nunca tenha uma carreira tradicional.
Talvez meu caminho seja outro.

Durante muito tempo achei que eu “apenas” tinha sido mãe e dona de casa.
Hoje começo a entender que isso também foi um propósito — e um aprendizado enorme sobre cuidado, paciência, responsabilidade e amor.

Ainda sinto medo.
Ainda tenho dias ruins.
Mas já não acredito que acabou.

Enquanto houver disposição para tentar de novo, a vida continua em movimento.


Gratidão também é recomeço

Quando olho para minha história, percebo que, apesar das frustrações, Deus nunca me abandonou.

Talvez recomeçar não seja mudar completamente de vida.
Talvez seja aprender a olhar a própria vida com novos olhos.

Porque, no fim das contas, o que realmente precisamos é esperança.

“Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.”
Jeremias 29:11

Se você também está cansada de recomeçar, não desanime.
Às vezes, o recomeço não é um sinal de fracasso —
é apenas Deus nos conduzindo por outro caminho.

Um abraço, e fique com Deus.


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