Recomeçar muitas vezes ao longo da vida cansa.
Quem já passou dos 50 sabe disso.
Quando somos jovens, é fácil mudar de caminho, porque tudo é novidade.
Depois de certa idade, parece prova. A cada tentativa surge a pergunta silenciosa: “Será que ainda dá tempo para mim?”
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| Foto de Teona Swift: pexels |
Há dias em que sinto que ando devagar demais. Outros, em que parece que estou sempre começando do zero.
E talvez o que mais doa seja perceber quantos projetos ficam pelo caminho.
O passado que ainda ocupa espaço
Durante muitos anos trabalhei com costuras.
Hoje ainda tenho guardados retalhos, linhas, agulhas e botões.
Essas sobras não ocupam apenas espaço físico.
Elas carregam lembranças… e às vezes arrependimentos.
Já pensei que tivesse desperdiçado tempo e dinheiro.
Mas, olhando melhor, percebo que não foi assim.
A costura me ajudou em momentos de dificuldade financeira.
Também desenvolveu minha criatividade e me ensinou a ter mais paciência.
Nem tudo que termina precisa ser uma perda.
Algumas fases apenas cumpriram seu propósito.
Os caminhos que não segui
Depois tentei estudar novamente.
Cheguei a iniciar uma segunda graduação, em Farmácia, e até fui bem no começo. Mas não continuei.
Por muito tempo achei que isso significava fracasso.
Pensei:
“Eu poderia ter sido professora.”
“Eu poderia ter tido uma profissão.”
“Talvez eu não sirva para nada além de cuidar da casa.”
Só que, com o tempo, fui percebendo algo diferente:
nem todo caminho é errado só porque não foi adiante.
Alguns não combinam com nossa realidade, com nossa personalidade ou com nossas limitações. Deus nos conhece melhor do que nós mesmos.
Sempre fui tímida, caseira, e lido com dificuldades de saúde e concentração — principalmente depois da Covid, quando minha mente ficou mais lenta e minha disposição diminuiu muito.
Houve um período em que parei completamente.
Senti como se tivesse chegado ao fim da linha.
O desânimo que ninguém vê
Antes, eu amava sair.
Ia à cidade. Entrava em lojas de tecidos, de cosméticos.
Observava as cores e as texturas dos tecidos.
Imaginava como as roupas ficariam depois de prontas.
Também sentia os perfumes dos produtos de cabelo. Aquilo me alegrava.
Hoje, às vezes nada parece interessante.
As cores ficam sem vida.
Os cheiros não encantam.
Tudo parece comum demais.
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| Imagem: Canva |
Esse tipo de desânimo é difícil de explicar.
Quem olha de fora acha que é apenas cansaço. Mas por dentro parece uma apatia profunda.
E, nessas horas, surgem pensamentos perigosos:
“Meu tempo já passou.”
“Não consigo aprender mais nada.”
“Talvez seja melhor desistir.”
O pequeno começo
Foi nesse momento que decidi recomeçar meu blog.
Meu filho também me incentivou a estudar sobre internet. E, mesmo devagar, comecei a aprender. Não é fácil. Os estudos são exigentes e às vezes me sinto perdida.
Mas percebi algo importante:
Recomeçar depois dos 50 não significa voltar ao início.
Significa usar tudo o que já vivemos como base.
Hoje não tenho a mesma energia de antes, mas tenho experiência.
Não tenho rapidez, mas tenho persistência.
Não tenho certezas, mas tenho fé.
O que aprendi
Talvez eu nunca tenha uma carreira tradicional.
Talvez meu caminho seja outro.
Durante muito tempo achei que eu “apenas” tinha sido mãe e dona de casa.
Hoje começo a entender que isso também foi um propósito — e um aprendizado enorme sobre cuidado, paciência, responsabilidade e amor.
Ainda sinto medo.
Ainda tenho dias ruins.
Mas já não acredito que acabou.
Enquanto houver disposição para tentar de novo, a vida continua em movimento.
Gratidão também é recomeço
Quando olho para minha história, percebo que, apesar das frustrações, Deus nunca me abandonou.
Talvez recomeçar não seja mudar completamente de vida.
Talvez seja aprender a olhar a própria vida com novos olhos.
Porque, no fim das contas, o que realmente precisamos é esperança.
“Porque sou Eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.”
Jeremias 29:11
Se você também está cansada de recomeçar, não desanime.
Às vezes, o recomeço não é um sinal de fracasso —
é apenas Deus nos conduzindo por outro caminho.
Um abraço, e fique com Deus.


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