A dor de perder uma mãe não passa rápido — mas pode ser sustentada pela presença de Deus . Perder uma mãe não é uma dor comum. É uma ruptura profunda. É como se uma parte da nossa história tivesse sido arrancada. E, por mais que saibamos que esse dia vai chegar, quando chega... nunca estamos preparadas. Quando a ausência se torna real Nos primeiros dias, após sua partida, tudo parecia estranho. O mais estranho é que eu sabia que esse dia chegaria, mas, quando chegou, demorei a acreditar. Hoje, o telefone não toca mais. Minha rotina mudou. O silêncio pesa. E a pergunta surge, inevitável: “Como eu vou viver sem ela?” Não existe resposta fácil para isso. A dor que ninguém consegue explicar Só quem perdeu a mãe entende. Não é apenas saudade. É uma mistura de: vazio Lembranças constantes. Vontade de voltar no tempo e uma dor que aparece sem avisar. E não adianta tentar ser forte o tempo todo. O luto não funciona assim. Pensei que poderia fugir da dor. Pensei que, ao ver o s...
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| Foto: Arquivo pessoal |
Uma reflexão sobre tecnologia, solidão e adaptação depois dos 60 anos
Outro dia fiquei parada diante do caixa de autoatendimento do mercado.
Às vezes fingimos que entendemos.
Às vezes evitamos mexer.
Às vezes, dá vontade de desistir.
E vamos reduzindo nossa autonomia sem perceber.
Paramos de fazer certas coisas.
Dependemos mais dos outros.
E isso nos fragiliza.
Além disso, há outro perigo: os golpes.
Os idosos se tornaram alvos fáceis justamente porque confiam mais e conhecem menos os mecanismos da internet.
Por isso, aprender deixou de ser opcional — tornou-se proteção.
O cérebro não “vence” na juventude.
Ele continua aprendendo a vida inteira.
No nosso ritmo, sim.
Está certo que fica mais devagar.
Mesmo assim, aprende.
Não precisamos dominar tudo.
Só precisamos dominar o suficiente para continuar independentes.
Nesse sentido, a própria internet passa a ser nossa aliada.
Eu não sabia o que fazer.
A moça atrás de mim apertava os pés no chão, impaciente. O visor da máquina piscava.
A moça atrás de mim apertava os pés no chão, impaciente. O visor da máquina piscava.
Eu olhava para a máquina e ela parecia olhar para mim e falar comigo.
Naquele instante, tive uma sensação estranha:
Não era apenas uma máquina que eu não sabia usar.
Era o mundo que eu não sabia usar.
De repente, tudo ficou rápido demais.
Ora, minha geração cresceu devagar.
Nós, da geração nascida entre 1946 e 1964, crescemos em um tempo diferente.
As coisas mudavam — mas mudavam aos poucos.
Aprendíamos olhando alguém fazer.
Não havia plateia nos observando.
E, o melhor de tudo: tínhamos tempo para aprender e entender o que estava acontecendo.
Hoje não.
Hoje você acorda e o aplicativo mudou.
O banco mudou.
O celular mudou.
O ônibus mudou.
Até para comprar pão, às vezes precisa de senha.
Quando finalmente achamos que aprendemos, surge uma atualização… e voltamos à estaca zero.
É como tentar aprender um idioma cuja gramática muda toda semana.
Talvez a maior dificuldade não seja aprender tecnologia.
E sim, o medo da incapacidade de aprender.
Porque para quem nasceu nesse mundo digital tudo parece óbvio, quase natural.
Mas para nós não é.
Naquele instante, tive uma sensação estranha:
Não era apenas uma máquina que eu não sabia usar.
Era o mundo que eu não sabia usar.
De repente, tudo ficou rápido demais.
Ora, minha geração cresceu devagar.
Nós, da geração nascida entre 1946 e 1964, crescemos em um tempo diferente.
As coisas mudavam — mas mudavam aos poucos.
Aprendíamos olhando alguém fazer.
Não havia plateia nos observando.
E, o melhor de tudo: tínhamos tempo para aprender e entender o que estava acontecendo.
Hoje não.
Hoje você acorda e o aplicativo mudou.
O banco mudou.
O celular mudou.
O ônibus mudou.
Até para comprar pão, às vezes precisa de senha.
Quando finalmente achamos que aprendemos, surge uma atualização… e voltamos à estaca zero.
É como tentar aprender um idioma cuja gramática muda toda semana.
O medo de parecer incapaz
Talvez a maior dificuldade não seja aprender tecnologia.
E sim, o medo da incapacidade de aprender.
Porque para quem nasceu nesse mundo digital tudo parece óbvio, quase natural.
Mas para nós não é.
| Foto: Arquivo Pessoal |
Às vezes fingimos que entendemos.
Às vezes evitamos mexer.
Às vezes, dá vontade de desistir.
E vamos reduzindo nossa autonomia sem perceber.
Paramos de fazer certas coisas.
Dependemos mais dos outros.
E isso nos fragiliza.
Além disso, há outro perigo: os golpes.
Os idosos se tornaram alvos fáceis justamente porque confiam mais e conhecem menos os mecanismos da internet.
Por isso, aprender deixou de ser opcional — tornou-se proteção.
Ainda podemos aprender
Existe uma notícia importante que pouca gente nos conta:
O cérebro não “vence” na juventude.
Ele continua aprendendo a vida inteira.
No nosso ritmo, sim.
Está certo que fica mais devagar.
Mesmo assim, aprende.
Não precisamos dominar tudo.
Só precisamos dominar o suficiente para continuar independentes.
Nesse sentido, a própria internet passa a ser nossa aliada.
Podemos assistir a vídeos com tutoriais que explicam tudo passo a passo.
Há cursos gratuitos. Acesse o site InfoEducação e veja os cursos gratuitos que eles recomendam.
Há cursos gratuitos. Acesse o site InfoEducação e veja os cursos gratuitos que eles recomendam.
Ou então, apele para os netos. Nessas horas, até os netos viram professores.
Não é humilhante pedir ajuda.
Humilhante é desistir de viver por medo.
Durante décadas, fomos definidos pelo que fazíamos.
“Ele é médico.”
“Ela é professora.”
“Ele trabalha no banco.”
De repente, não somos mais.
E aparece um vazio difícil de explicar.
Os dias ficam longos.
O telefone toca menos.
E aquela sensação incômoda surge:
“Será que ainda sou útil?”
Somos.
Talvez mais do que antes.
Agora não precisamos produzir — podemos significar.
Podemos ensinar, aconselhar, ouvir, acolher, transmitir histórias.
A experiência acumulada é algo que nenhuma inteligência artificial possui.
Com o tempo, alguns amigos partem.
Outros adoecem.
Os filhos seguem suas rotinas.
Os netos crescem.
E a casa fica silenciosa.
A solidão não chega de uma vez.
Ela vai entrando devagar.
Por isso precisamos agir conscientemente:
Isolamento não é descanso.
É risco.
Nós aprendemos a ser independentes.
Por isso, dói perceber que algumas habilidades físicas e mentais já não são as mesmas.
Demora até aceitarmos pedir ajuda.
Mas pedir ajuda não significa incapacidade.
Significa inteligência emocional.
Envelhecer é também procurar se adaptar e aprender novas habilidades.
O corpo muda.
A consciência da finitude se torna cada vez mais presente.
Mas existe algo que também cresce com a idade:
A compreensão do que importa de verdade.
A juventude representa o tempo de construir.
Mas a maturidade é o tempo de entender.
O mundo mudou depressa demais para nós — é verdade.
Só que ainda estamos aqui.
E enquanto estivermos, ainda podemos aprender, rir, ensinar, amar e começar coisas novas.
Envelhecer não é ladeira abaixo.
É subir outro tipo de montanha —
Mais silenciosa, mais profunda e, muitas vezes, mais bonita.
Não é humilhante pedir ajuda.
Humilhante é desistir de viver por medo.
A aposentadoria e o silêncio
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| Foto: Arquivo pessoal |
Depois vem a aposentadoria.
Durante décadas, fomos definidos pelo que fazíamos.
“Ele é médico.”
“Ela é professora.”
“Ele trabalha no banco.”
De repente, não somos mais.
E aparece um vazio difícil de explicar.
Os dias ficam longos.
O telefone toca menos.
E aquela sensação incômoda surge:
“Será que ainda sou útil?”
Somos.
Talvez mais do que antes.
Agora não precisamos produzir — podemos significar.
Podemos ensinar, aconselhar, ouvir, acolher, transmitir histórias.
A experiência acumulada é algo que nenhuma inteligência artificial possui.
A solidão que chega sem avisar
Com o tempo, alguns amigos partem.
Outros adoecem.
Os filhos seguem suas rotinas.
Os netos crescem.
E a casa fica silenciosa.
A solidão não chega de uma vez.
Ela vai entrando devagar.
Por isso precisamos agir conscientemente:
- Manter vínculos
- Participar de grupos
- Caminhar
- Conversar
- Sair de casa mesmo sem vontade
Isolamento não é descanso.
É risco.
Aceitar ajuda também é maturidade
Nós aprendemos a ser independentes.
Por isso, dói perceber que algumas habilidades físicas e mentais já não são as mesmas.
Demora até aceitarmos pedir ajuda.
Mas pedir ajuda não significa incapacidade.
Significa inteligência emocional.
Envelhecer é também procurar se adaptar e aprender novas habilidades.
Pense que não é o fim — é outra fase da vida.
Sim, o tempo passa e os projetos quase sempre ficam pelo caminho.
O corpo muda.
A consciência da finitude se torna cada vez mais presente.
Mas existe algo que também cresce com a idade:
A compreensão do que importa de verdade.
A juventude representa o tempo de construir.
Mas a maturidade é o tempo de entender.
O mundo mudou depressa demais para nós — é verdade.
Só que ainda estamos aqui.
E enquanto estivermos, ainda podemos aprender, rir, ensinar, amar e começar coisas novas.
Envelhecer não é ladeira abaixo.
É subir outro tipo de montanha —
Mais silenciosa, mais profunda e, muitas vezes, mais bonita.
Se este texto fez sentido para você, compartilhe com alguém que também esteja aprendendo a envelhecer em um mundo que mudou rápido demais.

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